Friday, January 14, 2011

O CACHORRO DO PASTOR

 Se ao ler o título desse texto você já imaginou que seria mais um texto decepcionado com a fé, de alguém agressivo com a crença alheia, de algum intolerante ou fundamentalista religioso, fique tranquilo, você se enganou, porém, esta é a prova concreta de como os maus exemplos tem influênciado a opinião da sociedade. 

De fato, nos últimos anos temos visto no nosso meio motivos de sobra para isso, exemplos deprimentes que são o recheio do “x-tudo” de satanás para a sociedade contra a igreja de Cristo. A sociedade tem se fartado de deliciosos maus exemplos daqueles que deveriam manter a pureza e simplicidade, como já previu o apóstolo em sua segunda carta aos irmãos de Corinto, cap. 11.3, fatalmente muitos se afastariam da simplicidade de Cristo, da sua pureza.

Quando Cristo é conduzido ao deserto, sendo tentado pelo nosso hostil inimigo, este lhe ofereceu fama, poder, glória e dinheiro. O mais triste é saber que a hodierna igreja de Cristo tem buscado exatamente aquilo que Cristo rejeitou no deserto, estamos na contra mão do evangelho.

Ponderando isso, entendemos a profundidade do que disse o mestre Jesus, relatado por Mateus, 18.8, quando Cristo indaga aos presentes se proventura acharia fé na terra quando voltasse. Alguns poucos homens, tem merecido o título desse texto, na sua compreensão mais vulgar, difamando com suas ações o santo ministério, que não foi dado por Cristo, mas sim emprestado por Ele.

Tudo que temos é resultado de uma concessão divina, portanto, não nos pertence. Aquilo que possuímos, não teria lugar nesse texto, pois, nascemos do pecado, o que temos são trapos de imundície, que faz separação entre Deus e a humanidade, se somos ou temos algo mais que o ordinário, seria motivo suficiente para agradecermos ao Senhor por tamanha bondade.

Todavia, maiores são os bons exemplos, daqueles que se desdobram pelo amor a Cristo e pelas almas por Ele compradas,  a preço caríssimo, a preço de sangue, sangue cândido, manado na cruz onde padeceu o  santo filho de Deus. Homens que não se importam com a marca de seu terno ou sapato, pois rapidamente são gastos em prol do evangelho, que não se detêm em filosofias, crendices, teologias e afins pois são sabedores que a salvação da alma não vem por elas, mas sim pela pregação do evangelho puro e simples de Cristo, que não se envergonham deste evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crêr. ( Rm 1.16 )

Tendo sido chamado ao ministério pelo soberano Deus e pelas circunstâncias do momento no qual vivíamos, de pronto a preocupação nasceu, sensação de impotência, mas como as misericórdias do Senhor são infinitas, aprendi que na igreja de Cristo o verdadeiro e seguro líder, é aquele que não tem o desejo de liderar. Veja Moisés, o intrumento de libertação do povo de Deus evitou enquanto pode a posição que lhe era proposta. 

O verdadeiro e seguro líder é forçado a uma posição de liderança por uma pressão interior do Espirito Santo e pela pressão da circunstância exterior. Moisés, Davi e os profetas do antigo testamento são a prova clara disso. Quem é apaixonado por liderança é desqualificado como líder.

Porque? Não seria exatamente o contrário? E a posição, linguagem corporal, postura, espirito de líder, “pegada”, personalidade forte, aguerrida, valente?

Na verdade, nada disso interessa. Na obra de Deus quem trabalha é Ele. Aprendi nessa nova fase da minha vida que sou somente o cachorro do pastor, não o pastor. Todo pastor de ovelhas tem seu fiel cachorrinho, que corre mantendo as ovelhas sempre juntas, toda vez que uma foge do rebanho lá esta o cachorro do pastor para latir e trazer devolta ao grupo a ovelha birrenta. Pensando bem, nós, homens de Deus, chamados ao santo ministério de Cristo, não fomos chamados para ser pastor, pois Cristo anuncia em sua palavra que Ele era o bom pastor  ( João 10.11 ). 

Somos somente o cachorrinho do pastor, o instrumento de Deus, com todo o respeito a este importante ofício, que “late” a palavra de Deus para suas ovelhas (espero que se tenha maturidade para entender o que digo), ajudamos o pastor a manter seu rebanho unido e protegido, somente isso.

Não fomos chamados para ser importantes, tele-pastores, multi-milionários, empresários da fé, conhecidos, idolatrados, venerados, pregadores de multidões, e o pior, multidões de convertidos, não me recordo agora de um atual pregador que chama a si multidões de pecadores, somente multidões de crentes, o que não traz proveito algum para o reino de Deus. Não fomos chamados para aparecer, faço valer a sabedoria de João Batista ao dizer que “importa que Ele cresça e eu diminua. “ ( João 3.30 ).

Seriam estes os grandes homens de Deus, os tele-pastores, pregadores de crentes,  milionários da fé?  São estes que cumprem o ide de Cristo?

Eu tenho uma cosmovisão diferente do Cristianismo. Acredito que missões são feitas por homens e mulheres transformados por Deus, despidos de desejos consumistas, despidos da ditadura da mídia e da moda, aqueles que não buscam seus desejos, buscam sim em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça. O crente comum, ao conversar com o próximo, diz que gastou meia hora com ele, o crente com espirito missionário diz que investiu meia hora com o próximo.

Achamos que fazer missões é pregar a palavra, sacudir o pó das vestes e seguir para a próxima parada, isso seria a “parteira” que traz ao mundo um novo cristão, porém, missões de verdade requer comprometimento, sentar, conversar, ouvir, ouvir e ouvir, investir tempo, mostrar afeto,  ser afeiçoado, ser a “enfermeira” que cuida de almas feridas, isso é missão. Precisamos sim das parteiras,  porém, temos mais necessidade de enfermeiras,  que possam cuidar daqueles que temos, estes são os grandes homens deDeus, anónimos na terra, famosos no céu.

Ao ler a parábola do filho pródigo, exigimos que a igreja o receba bem, e os que chegam ou deslizam na caminhada fazem-se valer desta parábola para requerer seus direitos no corpo de Cristo, porém, nunca paramos para pensar que o filho pródigo tem que crescer, amadurecer, criar compromisso com o corpo de Cristo, gerar filhos e agir agora como pai, recebendo de braços abertos aqueles que chegam ou que insistem em tropeçar.

Fazer missões é mais que pregar o evangelho, é vive-lo, alguém disse que seus atos gritam tão alto que já nem posso ouvir sua voz. Faça missões aonde você esta, faça com seu vizinho, com seu patrão, com sua família, com sua igreja, é, na sua igreja, dentro dela existem pessoas feridas precisando de atenção, minutos do seu tempo podem mudar vidas. Ajude quem vai ao campo missionário, oferte, ore, participe;  seja você um missionário aonde você esta e abeçõe vidas com seu amor e atenção, anuncie a Cristo, a tempo e a fora de tempo e sê tú uma benção.                                                                                                           
 
Nesse pouco tempo de pastoreio tenho aprendido muito, aprendido que missões é amar, é conversar, investir tempo em alguém, curar feridas e resgatar vidas e emoções alheias, trazendo-as cativas a Cristo outra vez. É mais do que pregar, é viver o evangelho, é deixar Cristo ser o pastor, pois Ele sabe muito bem como faze-lo. Que eu possa ser somente o cachorinho, o cachorro que late ajudando o pastor a cuidar do seu rebanho.
Que eu seja somente  O CACHORRO DO PASTOR.
É assim, simples, simples desse jeito, simples como Cristo é... só isso.


Ev. Gustavo Bastos                                                                Fellowship Assembly of God
12 Irving st,  2. andar                                                           Framingham, MA 01701 

1 comment:

  1. Olá Gustavo. Parabéns!!! Deus abençõe o seu Pastoreio e q vc consiga resgatar muitas ovelhas perdidas p o pastoreio de JESUS CRISTO. Q seu exemplo seja puro e alicersado sempre no Amor de CRISTO!!! Q ELE te abençõe te te fortaleça sempre nessa missão tão Linda!!!!
    Sua Tia
    Madalena (BRAZIL).

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